A Importância do Transporte Ferroviário Internacional de Mercadorias para a Competitividade da Economia
21 de Junho de 2011,Hotel Sofitel, Lisboa
 
Realizou-se no passado dia 21 de Junho no hotel Sofitel, em Lisboa, mais uma Conferência da ADFERSIT, subordinada ao tema “A importância do transporte ferroviário internacional de mercadorias para a competitividade da economia”. Os oradores convidados foram o engº Mira Amaral, na qualidade de Vice-Presidente da CIP, e o engº Melo Pires, Director-Geral da Auto-Europa, a maior empresa exportadora a trabalhar em Portugal. Foi moderador da conferência o Presidente da ADFERSIT, dr. Joaquim Polido. A introdução ao tema foi feita pelo Vice-Presidente da ADFERSIT, prof. Mário Lopes, que focou essencialmente os seguintes aspectos: (i) a necessidade de definir os objectivos estratégicos da política de transportes; (ii) a necessidade de o fazer bastante antes da realização das obras para que as decisões não sejam casuísticas caso a caso mas obedeçam a um plano de longo prazo integrado e coerente; (iii) o facto de actualmente a quase totalidade das trocas comerciais terrestres de Portugal com a União Europeia se fazerem por via rodoviária, uma situação insustentável por razões ambientais e energéticas, cuja manutenção teria consequências extremamente negativas para a competitividade da nossa economia; (iv) a identificação das razões da não utilização da ferrovia, ou seja, os problemas de interoperabilidade ferroviária que obrigam a transbordos e oneram significativamente o transporte ferroviário internacional de mercadorias. Concluiu, assim, pela necessidade da construção da nova rede ferroviária de bitola europeia, com todas as linhas aptas para tráfego misto (passageiros e mercadorias) e a correcção de outros erros estratégicos do actual projecto.

Seguiu-se a intervenção do engº Mira Amaral que realçou que o aspecto mais importante da nova rede ferroviária e que justifica a sua construção é precisamente a sua interoperabilidade total com as restantes redes europeias, o que permitirá ligações directas para mercadorias entre Portugal e o centro da Europa e dessa forma a redução dos custos de transporte e logística, melhorando assim a competitividade das empresas e da nossa economia. Alertou também para as dificuldades que se advinham para o financiamento da construção da linha Poceirão-Caia dados os problemas actuais de financiamento da economia portuguesa, em particular se na análise custos-benefícios não se incluírem os benefícios indirectos para a competitividade da economia.

Seguiu-se a intervenção do engº Melo Pires que referiu que a Auto-Europa gasta 24 milhões de euros por ano em transportes de componentes e automóveis, que são relevantes na estrutura de custos da empresa. Até há pouco mais de um ano que todo o transporte de peças para a fábrica de Palmela, a partir de duas localizações na Alemanha, se fazia por via rodoviária. Desde então, a Auto-Europa tenta reduzir estes custos utilizando a via ferroviária. Começou-se pelo trajecto entre Barcelona e a Bobadela, com o que se conseguiram reduzir os custos em 7%. Actualmente, com a entrada em serviço das primeiras linhas de bitola europeia entre a fronteira francesa e Barcelona, a Auto-Europa planeia efectuar o transporte entre a Alemanha e Barcelona também por via ferroviária. Em Barcelona efectuar-se-á o transbordo das peças dos comboios de bitola europeia para os de bitola ibérica, que depois prosseguirão para Portugal. No entanto se se evitasse o transbordo , que é o que onera mais o transporte, com linhas de bitola europeia até à fábrica em Portugal, a competitividade da empresa seria beneficiada.


Prof. Mário Lopes
Vice-Presidente da ADFERSIT

Enquadramento da Sessão

Luis Mira Amaral
Vice-Presidente da CIP


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António Melo Pires
Diretor Geral da Autoeuropa


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Dr. Joaquim Polido
Moderador


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