MOBILIDADE SUSTENTÁVEL E SAÚDE

MOBILIDADE SUSTENTÁVEL E SAÚDE

No projecto “Sustainable Mobility for All” desenvolvido em 2017 no âmbito e na sequência da aprovação pelas Nações Unidas, em Setembro de 2015, dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, foram definidos os quatro eixos fundamentais para uma Mobilidade Sustentável: Acesso Universal, Eficiência, Segurança e Ambiente.

Estes quatro grandes eixos apontam, no essencial, para o objectivo central dos transportes (os vários modos de transporte – aéreo, marítimo, ferroviário e rodoviário) garantirem uma mobilidade acessível a todas as pessoas, de forma eficiente e segura e com respeito pelo meio ambiente através da minimização dos seus impactos em termos de emissão de gases de estufa, da poluição e do ruído.

Estes últimos aspectos ligam, de forma estreita, a mobilidade sustentável e a área da saúde.

A poluição do ar e os níveis de ruído, sobretudo a nível urbano, têm efeitos directos, comprovadamente nocivos, na saúde das populações e a utilização de determinados meios de transporte podem estar ligados ao surgimento de doenças específicas.

Por exemplo, a utilização sistemática e constante da viatura automóvel, gerando hábitos de vida sedentária, aumenta a incidência de doenças como a obesidade, o cancro e diabetes.

Nesta perspectiva, o planeamento da mobilidade sustentável nas grandes concentrações urbanas pode ser um meio de promoção da saúde ao incentivar o exercício físico através da deslocação das pessoas por meios alternativos (a pé, de bicicleta, etc.) à utilização do veículo automóvel.

Em termos mais gerais, é conhecido o impacto negativo no ambiente, dos vários modos de transporte e por esta via na saúde das populações.

As emissões poluentes dos transportes aéreos e dos veículos automóveis de combustão interna são dois dos aspectos que têm sido mais discutidos e que, obviamente, estão presentes na problemática da mobilidade sustentável.

A crise sanitária que atravessamos, decorrente da pandemia Covid 19, com a imposição generalizada de “lockdowns” que impuseram profundas restrições à circulação de pessoas, veio colocar a questão dos transportes e da mobilidade sustentável, sob uma nova e diferente perspectiva e colocando incertezas quanto ao futuro.

Sem a existência de uma vacina, segura, eficaz e de acesso generalizado, a utilização de transportes colectivos estará sempre condicionada pelo receio dos utentes de serem infectados pelo vírus.

Em especial, este receio atinge fortemente o transporte aéreo que terá uma recuperação lenta até que a vacina se torne realidade.

Paradoxalmente, em relação a um tempo que vivemos de dar preferência ao transporte colectivo nas concentrações urbanas, como modo de combater os efeitos das alterações climáticas, e na ausência de uma vacina, o transporte individual, por viatura automóvel, poderá ter um incremento, ao contrário dos outros modos de transporte, por assegurar aos utilizadores uma maior defesa quanto aos riscos de contágio.

26 de Maio de 2020

Luís Filipe Pereira
Presidente da Comissão Executiva do 14º Congresso Nacional da ADFERSIT 
Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ADFERSIT 
Ex Ministro da Saúde

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